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Aplicação de Fertilizantes

Bibliografia Citada Ian Yule

Estamos atentos à eficiência de aplicação e distribuição dos nutrientes?

As adubações são processos nos quais nutrientes são adicionados a sistemas agrícolas com o objetivo de complementar, ajustar, balancear, ou mesmo, repor elementos necessários para o correto desenvolvimento das plantas.

Um ponto importante a ser discutido é que a eficiência das adubações não está ligada somente a características químicas e ao comportamento no solo dos nutrientes aplicados. As formas nas quais estes nutrientes estão presentes nos insumos, como também os processos utilizados para a aplicação nos solos ou nas culturas, exercem influência no resultado final das adubações.

Se considerarmos todas as variáveis que, de uma forma ou de outra, são importantes quando pensamos em adubações eficientes, bastariam cinco perguntas básicas para resumir os pontos aos quais devemos ter bastante atenção. As perguntas são:

O que aplicar? - Quais nutrientes devem fazer parte das adubações?

Quanto aplicar? - Quais as doses adequadas de cada nutriente?

Quando aplicar? - Em qual período da cultura ou do ciclo, os nutrientes devem ser aportados?

Onde aplicar?- Qual o local mais apropriado para aplicar cada nutriente (no solo ou na planta) para que haja maior disponibilidade para a cultura?

Como aplicar? De que forma ou com qual processo estes nutrientes devem ser distribuídos ou aplicados para que atinjam o local adequado para o solo ou para a cultura?

Com estes simples questionamentos, conseguimos entender que, para fazermos uma boa recomendação, devemos nos preocupar não só com o que gostaríamos que acontecesse, mas também com o que efetivamente deverá acontecer. Devemos sempre considerar que parte do sucesso da adubação está na recomendação, mas que o conhecimento dos processos operacionais que tiram estes nutrientes “do papel” e os direcionam para o sistema solo-planta são fundamentais.

Para as três primeiras perguntas (o que, quanto e quando aplicar?) temos à disposição diversos trabalhos e pesquisas como: curvas de calibração, curvas de resposta a nutrientes, tabelas de adubação e equações que indicam - baseadas em variáveis como: teores no solo, tipo da cultura, produtividade almejada - como dimensionar quais nutrientes, doses e épocas de aplicação.

Já para as duas últimas perguntas, conforme a recomendação vai se definindo, já começamos a ter uma visão mais clara de onde devemos posicionar os nutrientes. Mas existe uma distância entre sabermos onde o nutriente deverá ser colocado e onde efetivamente ele será colocado. O que pode passar despercebido é que nem sempre as adubações que planejamos ocorrem no campo da forma com que planejamos. E isso acontece, em muitas vezes, porque fatores como as características dos fertilizantes escolhidos combinados com os tipos de equipamentos utilizados influenciam muito em como os nutrientes são aplicados e, principalmente, distribuídos.

A granulometria, por exemplo, é uma característica dos fertilizantes que pode gerar resultados diferentes na aplicação e na distribuição de nutrientes. Caso não esteja familiarizado com este termo, a granulometria ou perfil granulométrico é a forma de classificar produtos de acordo com diferentes faixas de tamanhos de grânulos. Geralmente uma amostra de produto é passada por malhas de peneiras com diferentes aberturas e o peso do produto retido em cada peneira indica o percentual de produtos com determinado tamanho.

A lógica por trás de conhecer o perfil granulométrico do produto para fins de sua aplicação à lanço é que partículas maiores e mais densas atingem distâncias maiores em relação ao lançamento, enquanto partículas menores e menos densas ficariam depositadas mais próximas ao equipamento. O mesmo princípio da granulometria vale para aplicações em linha, mas de uma maneira um pouco diferente e que abordaremos em outra oportunidade. Quanto às adubações à lanço, vamos exemplificar o efeito comentado acima com o trabalho a seguir.

Para fins de avaliar como os tamanhos de grânulos de um fertilizante influenciam na distribuição, Yule (2011) realizou um trabalho com Superfosfato Simples em 4 diferentes especificações granulométricas. Conforme o Quadro 1 abaixo, foram utilizadas no trabalho amostras de Superfosfato Simples com diferentes granulometrias. A amostra 1, por exemplo, possui cerca de 2% de grânulos maiores ou iguais a 4 mm, 2,0% de grânulos maiores ou iguais a 3,35 mm e assim por diante, até o que se chamou de fundo, ou seja, partículas menores do que 0,40 mm. O mesmo foi feito para as demais amostras.


Quadro 1. Análise Granulométrica das Amostras Utilizadas para Avaliação de Distribuição

Peneira Amostra 1 Amostra 2 Amostra 3 Amostra 4
 4,00 mm 2,0 7,90,0 2,0 
 3,35 mm 2,07,5 0,0 2,0 
 2,80 mm3,8  10,8 3,0 5,0
 2,00 mm 12,3 22,7 12,0 10,0
 1,00 mm 42,6 24,5 30,0 35,0
 0,40 mm 25,8 11,5 30,0 30,0
 Fundo11,5  5,1 25,0 16,0
TOTAL 100,0 100,0 100,0 100,0

Adaptado de Yule (2011)

As amostras indicadas foram aplicados à lanço e por meio de bandejas colocadas em toda a extensão da largura da faixa de aplicação, o produto foi coletado de forma que fosse possível avaliar a influência do perfil granulométrico na distribuição da dose de fertilizante aplicada. De posse dos dados da aplicação, Yule estimou matematicamente os padrões de distribuição dos quatro materiais resultando no Gráfico 1 abaixo.

Gráfico 1. Alterações estimadas no Padrão de distribuição dos quatro materiais testados

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Adaptado de Yule (2011)

Observando os dados é possível concluir que os materiais mais finos se concentraram no meio da faixa de aplicação, como no caso das Amostras 1, 3 e 4 que possuíam, respectivamente, 80%, 85% e 81% de partículas de fertilizantes menores do que 2,00 mm. Além desta concentração próxima ao equipamento, estes produtos apresentaram uma maior variação de dose dentro da faixa, indicando uma menor eficiência de distribuição dos nutrientes.

Já no caso da Amostra 2, a distribuição foi mais equilibrada e constante na largura da faixa. Parte da explicação é que pouco menos de 51% dos grânulos desta amostra estavam abaixo de 2,00 mm e o produto possuía ainda 41% de grânulos entre 2,00 e 4,00 mm, ou seja, o perfil granulométrico do produto utilizado no equipamento possibilitou uma melhor distribuição do fertilizante.

É importante lembrar que quimicamente as amostras testadas eram idênticas, ou seja, teoricamente a eficiência química do produto não se alteraria no sentido da aplicação. Neste caso, entretanto, pudemos notar que grande parte da eficiência da adubação estava ligada à distribuição de nutrientes, às características físicas do produto e a sua interação com o equipamento.

A afirmação de que este efeito acontecerá na mesma proporção para quaisquer produtos e equipamentos não é de todo verdadeira. O que sabemos, entretanto, é que devemos estar atentos a estes efeitos e, sempre que possível, testar e avaliar criteriosamente os produtos que estamos recomendando e utilizando, com foco sempre na busca do aumento da eficiência da distribuição de nutrientes e, consequentemente, na maior eficiência das adubações.


Bibliografia Citada

Yule, I. The Effect of fertilizer particle size on spread distribution. http://www.massey.ac.nz/~flrc/workshops/11/Manuscripts/Yule_1_2011.pdf

Topics:
Soil_Fertility

 
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