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Ambientes de Produção como ferramenta de produtividade para cana-de-açúcar

Por Jorge Arantes

Para obter altas produtividades, a cultura da cana-de-açúcar é extremamente dependente das interações com os ambientes de produção. Pensando nestas características, foi desenvolvido o “Ambicana” - uma metodologia aplicada para quantificar a interação dos ambientes de produção com a realidade da cultura canavieira e que também visa promover a verticalização da produção.

Ambiente de Produção é o conhecimento dos fatores que compõem a formação de determinado solo e suas interações através das condições físicas, químicas, morfológicas e hídricas, associadas ao manejo de variedades adequadas para determinados ambientes.

O ambiente de produção demonstra as particularidades do solo para que ocorra um manejo adequado da camada arável (superficial) em relação às práticas conservacionistas do solo e também indica as operações necessárias para o preparo de solo, ações corretivas, adubação, utilização de resíduos das agroindustrias (torta de filtro e vinhaça), controle de pragas e ervas daninhas. Além de conhecer a camada superficial do solo (0 - 40 cm de profundidade), é necessário conhecer o perfil do subsolo (subsuperfície) e associá-los com o clima regional (temperatura, pluviometria, radiação solar e evaporação).

Os ambientes de produção são compostos conforme a figura 1 que está abaixo:

  • Profundidade do solo - permite a exploração do sistema radicular das plantas e tem relação com a disponibilidade de água;
  • Fertilidade do solo - responsável pela fonte de nutrientes para as plantas;
  • Textura do solo - está relacionada com o teor de matéria orgânica, capacidade de troca catiônica (CTC) e disponibilidade hídrica, variando em função do teor de argila presente no solo;
  • Água - como componente da solução do solo.


Componentes do Ambiente de Produção

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Figura 1. Componentes do Ambiente de Produção


Para gerar um ambiente de produção confiável é necessário primeiramente conhecer a classificação dos solos. Seguem abaixo tabelas que ajudam a classificar o solo.



Classificação dos Solos

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Figura 2. Triângulo Textural   

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3. Hierarquia de classificação de solos (Embrapa 1999)


A textura do solo refere-se à quantidade de argila, areia fina, areia grossa e silte que estão presentes nele. Com base no teor de argila, os solos podem ser classificados como argilosos, médios argilosos ou arenosos. Além deste teor, para realizar o cálculo de gessagem e a classificação do solo no gradiente textural representado pela figura 2, também é importante a disponibilidade de Matéria Orgânica, CTC e a disponibilidade hídrica. Como o teor de argila pode ser muito amplo, para o projeto ambiacana, aplica-se a variação entre 15% a 35%.

Segundo Landell et al (2003), a condição química da camada subsuperficial do solo é determinante na produtividade da cana-de-açúcar, aplicando essa correlação (TCH) com o avançar dos cortes. Conforme demonstrado na figura 4, verificamos que a produtividade decresceu significativamente na seguinte ordem: eutrófico > mesostrófico > distrófico > ácrico.

As condições químicas influenciam diretamente nos ambientes de produção. A figura 5 apresenta os critérios químicos da camada superficial dos solos adotados pela Embrapa (1999) e por Prado (2004).


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Figura 4. Critério químicos-pedológicos da camada supercial de solos 


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Figura 5. Produtividade da cana ao longo dos cortes (Landell et. All 2003)


No Brasil, a maioria dos tipos de solos encontrados são: Latossolos, Argisolos, Neossolos Quartzarênicos, Nitossolos e Cambissolos. As profundidades ideais para exploração do sistema radicular da planta são encontradas em solos muito profundos (Latossolos e Neossolos Quartzarênicos) e solos profundos (Nitossolos). A disponibilidade de água é outro fator que está associado à profundidade do solo, devido a quebra da capilaridade entre o horizonte A (superficial) e o horizonte B (subsuperficial), retendo maior quantidade de água no perfil do solo. Devemos ficar atentos para a profundidade do horizonte B, pois quanto mais profundo, maior será a quebra de capilaridade, estando fora do contato do sistema radicular e assim não retendo água para as plantas naquela zona de absorção. Outro fator importante em relação ao horizonte B é a presença da plintita, pois esta favorece a retenção da água no solo.

Podemos observar que a água é o fator de maior destaque dentre todos os componentes do ambiente de produção. Se consideramos baixa disponibilidade de água em solo de alta fertilidade, o mesmo não responderá em produtividade. Porém se fizermos ao contrário e disponibilizarmos alta quantidade de água em solo com menor fertilidade, ele será mais responsivo em produtividade.


Conhecendo-se os ambientes de produção, qual sua aplicação na realidade canavieira?

O ideal para a cultura canavieira é que tenhamos um ambiente de produção preciso, que dê suporte ao planejamento agronômico. Os mapas com classificação de ambientes de produção facilitam o planejamento agrícola das operações, o preparo correto do solo, garantindo variedades adequadas e consequentemente maiores produtividades. A classificação dos ambientes de produção tem se mostrado uma ferramenta muito importante para obter altas produtividades com sustentabilidade, visto que seu uso gera uma prática conservasionista de solo que promove a longevidade do canavial.


Ambientes de Produção de cana-de-açúcar

Os critérios para determinar os ambientes de produção de cana-de-açúcar que constam no quadro abaixo incluem os aspectos físicos-hídricos, químicos e morfológicos dos solos associados à produtividade (TCH) (Prado et al, 1998, 2003; Prado et al 2003, 2005). As produtividades do quadro abaixo foram obtidas em várias análises conduzidas em usinas conveniadas com o programa de Cana do IAC no estado de São Paulo. A classificação do ambiente e suas produtividades (TCH) são média de um ciclo (5 cortes), sem influência de irrigação com água ou fertirrigação (vinhaça).


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Topics:
Soil_Fertility

 
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