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A interação entre nutrientes nas adubações - Parte II

Abordamos na primeira parte deste artigo (“A interação entre nutrientes nas adubações – PARTE I”) a necessidade de focarmos em adubações balanceadas como forma de incrementarmos as eficiências de uso dos nutrientes. 

É fato que conforme vão aumentando os patamares de produtividade, mais dependentes ficam as plantas quanto à fertilidade dos solos e, consequentemente, de adubações balanceadas. Veja na tabela abaixo que em menores produtividades, a extração de nutrientes pelo milho é relativamente baixa, entretanto, conforme as produtividades se elevam, há nutrientes - como o fósforo - que têm sua necessidade aumentada em até  4,7 vezes.


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Tabela 1. Extração média de nutrientes pela cultura do milho destinada a grãos

(Adaptado de Coelho et all, 1995)


Adicionalmente ao fato das maiores necessidades de nutrientes para altas produtividades e da importância do balanço de nutrientes, há outros fatores que devem ser levados em consideração para adubações eficientes. 

A entrada de um nutriente do meio externo (solo) para o meio interno (planta) depende de vários fatores. Os nutrientes se comportam de maneiras diferentes, como também podem ter vias ou locais distintos para serem absorvidos, podendo ser vias exclusivas ou compartilhadas por mais de um nutriente. No artigo anterior, abordamos o efeito benéfico entre Nitrogênio e Potássio para a produtividade do milho, no qual a aplicação de um nutriente resultou em melhor uso do outro pela planta. Mas nem sempre isso ocorre. Existem basicamente 3 tipos de interações entre nutrientes sendo: duas negativas (Antagonismo e Inibição) e uma positiva (Sinergismo). A seguir são apresentadas as definições de cada uma.

Antagonismo – a presença de um elemento diminui a absorção de outro elemento independente de sua concentração no meio.

Inibição – a presença de um elemento diminui a absorção de outro elemento. Pode ser dividida em Inibição Competitiva que ocorre quando os dois elementos competem pelo mesmo sítio (local) de absorção pela planta. A Inibição é Não Competitiva quando os sítios de absorção são diferentes para cada elemento.

Sinergismo – a presença de um elemento favorece a absorção de outro elemento, proporcionando efeito benéfico para a planta.

Na tabela abaixo são indicados alguns destes efeitos interiônicos que ocorrem entre nutrientes.

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Mas, afinal, de que forma esses processos impactam nos manejos e na adubação? Vamos ver um exemplo.

Em um trabalho realizado por Kano et all (2010) com alface, foram testadas diferentes doses de potássio e avaliados os teores foliares dos macronutrientes primários (N, P e K) e secundários (Ca, Mg e S) nas folhas. Mesmo com o aumento da dose de potássio, os teores foliares de N, P, Ca e S não se alteraram. Como era esperado, os teores foliares de K aumentaram de forma linear com a aplicação. Para um nutriente, entretanto, o resultado foi bem diferente: o magnésio.

Mesmo o solo utilizado no experimento tendo sido previamente corrigido com calcário, ou seja, apresentar teores adequados de Mg,  a aplicação de doses de K2O fez com que os teores foliares de magnésio na folha reduzissem linearmente com as doses (Figuta 1), mas de forma negativa. Em resumo, a presença de doses mais elevadas de potássio na solução do solo inibiu a absorção de magnésio pelas plantas, mesmo o magnésio estando em uma forma disponível e em teores adequados.


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Figura 1. Teor de magnésio na matéria seca da parte aérea das plantas de alface coletadas no final do ciclo, em função de doses de K2O (Kano et all, 2010)


De forma prática, note que mesmo um solo com teores adequados de um primeiro nutriente, caso seja necessário o aporte de dosagens altas de outro para ajuste de uma deficiência, pode fazer com que a planta não absorva o primeiro mesmo estando em quantidade suficiente no solo. 

Entretanto, não é sempre que se consegue prever ou mesmo observar estes efeitos na forma de uma deficiência visual, por exemplo. Certamente, na finalização da safra, estes efeitos podem estar limitando a produtividade de maneira silenciosa e despercebida, mas existem formas para identificar e tratar estas deficiências.

Outra técnica relativamente simples, mas muito eficaz permite que depois de realizada a adubação e em um estágio definido, consigamos “acompanhar” a absorção dos nutrientes pelas plantas. Esta técnica é a análise de tecido vegetal ou, a mais conhecida destas, as análises de folha.

Com a análise de folha é possível entender o comportamento e indiretamente, a disponibilidade dos nutrientes no solo e, dependendo do nutriente, corrigir as possíveis deficiências. Nem sempre conseguimos fazer na mesma safra, mas de posse dos resultados dos teores de nutrientes nos tecidos vegetais, conseguimos interpretar os teores e compará-los com as faixas consideradas adequadas e ajustar estratégias de manejo das adubações.

Novas ferramentas têm sido desenvolvidas e melhoradas com o intuito de aumentar a eficiência das adubações, considerando parâmetros de fácil obtenção e repetição, como as análises de folha. Uma destas ferramentas é o DRIS – Sistema Integrado de Diagnóstico e Recomendação (em inglês, Diagnosis and Recommendation Integrated System). E é justamente dela que trataremos em um próximo artigo com o intuito de continuarmos explorando as técnicas para melhoria na eficiência de uso dos nutrientes.


Topics:
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